FLORIPA - Urgente !

TEXTOS ESCRITOS POR ARNOLDO JATYR BRAGA, DESDE 23.03.1996


MATUTANDO...  Filosofia heterodoxa

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CÉLULAS TRONCO

Está em discussão, pelo poder judiciário, o tema da utilização de células tronco no tratamento humano. Doutos juristas pretendem definir o momento do começo da vida para poderem autorizar o descarte de embriões, antes deste prazo, sem que se cometa nenhum crime ou pecado.

      Mais uma vez, na história da humanidade, assistimos ao triste espetáculo do misticismo primário, com suas crendices e superstições, ameaçando o progresso da ciência!

      Quem quiser observar, mesmo que ligeiramente, já percebe que uma simples minhoca manifesta atividades vitais infinitamente superiores e significativas do que um inerte e inexpressivo embrião incipiente. Não existe nenhum dado objetivo que revele qualquer superioridade do embrião; pelo contrário, tudo indica que ele é inferior em todas as comparações ou medições. Mesmo assim, no imaginário dos místicos, prevalece a personalidade que o embrião poderia vir a assumir, algum dia, se fossem cumpridas toda as condições particulares necessárias, que produziriam um ser com aquele perfil imaginado !...

      A discussão a respeito do momento em que começa a vida do embrião não pode nos levar a nada. A vida não teve um começo conhecido e sua história é muito anterior à história do embrião; ela vem passando de célula-mãe, para célula-filha, de espécie para espécie e, talvez até, saltando de um astro celeste para outro astro, desde tempos imemoráveis.

      É impossível afirmar que e quando a vida se instala no embrião, porque ela já está presente no ovo e no espermatozóide dos pais da criatura por vir. A reprodução sexuada foi recém-desenvolvida pela vida, mas, não tem implicações filosóficas diferentes daquelas já conhecidas para a reprodução assexuada.

      A vida é uma forma peculiar de organização da matéria que a habilita a desempenhar funções das mais complexas, ditas "mentais", que chegam até à consciência de sua própria existência.

      Um ser humano é, obviamente, superior e infinitamente mais complexo do que uma minhoca; por isto mesmo, não se torna "Humano" de uma hora para outra, muito menos, a partir de algum momento que venha a ser "descoberto" pelos juristas. Ele se desenvolve continuamente, tanto física como psiquicamente, no sentido de adquirir crescente autonomia funcional, até à sua morte.

      Podemos dizer que o desenvolvimento implica na criação de novas células, necessárias para o desempenho de novas funções, daí, a relação existente entre o desenvolvimento e o crescimento.

       O feto não começa a viver, já com a complexa organização de um ser humano, mas sim, com a organização semelhante à de de um simples protozoário, que deve repetir todas as etapas da evolução das espécies, antes de chegar ao grau de organização do ser humano. 

       Entretanto, sua formação psíquica vem sempre com inevitável atraso porque depende de sua capacidade para interagir com o meio ambiente, usando seus sentidos e seu sistema motor, quando já estiverem desenvolvidos e exercitados.

      A vida psíquica é construída, de fora para dentro, pela incorporação de informações captadas e processadas pelo ser, na medida do desenvolvimento de seus sentidos. É por isto que a maior parte dos dado visuais – que são os mais ricos para a vida psíquica - só adquirem significado, para o feto, depois de seu nascimento, depois que ele abre os olhos e passa a enxergar.

      Ante a impossibilidade de forçar a natureza a ser tão maniqueísta, como os juristas imaginavam que ela fosse, deve prevalecer o bom senso na autorização do aborto, aceitando-se toda a relatividade, tolerância e adaptabilidade, próprias dos fenômenos biológicos.

      O indiscutível respeito ao ser humano, tão evocado nestas discussões, já nos indica que não se pode violentar uma mulher obrigando-a a ter um filho que ela não quer.

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A JUSTIÇA

O LIVRE ARBITRIO

A_EVOLUÇÃO

SOBRE_O_ABORTO

A_FIDELIDADE

O_PROBLEMA_POPULACIONAL        

A_PRETENSÃO_HUMANA

A_RACIONALIDADE_HUMANA

GÊNESE_

SOBRE A SELEÇÃO NATURAL

NOSSA_VIDA_PSÍQUICA

MATERIALIZAÇÃO DO PENSAMENTO (out/2006)

CORRIGINDO O BIG BANG (nov/2006)

FALSA "CERTEZA" (dez/2006)

O TEMPO (jan/2007)

CORPO E MENTE  (fev/2007)

SOCIEDADE RACIONAL  (mar/2007)


A JUSTIÇA           

     Justiça é um conceito tão complexo e sofisticado que paira muito acima de qualquer definição simplista  que, sensatamente,  estamos evitando.

      A preocupação que nos levou a  este questionamento foi a corrida pela ocupação das poucas vagas de juizes oferecidas pela sociedade.

     É visível que as mulheres estão ganhando esta corrida e que, algum dia, estarão monopolizando a administração da justiça na sociedade, mas queremos saber se isto será melhor ou pior para a humanidade.

    É sabido que as mulheres se deixam guiar mais pelos sentimentos  do que pela razão e que estão  mais propensas à prática da cálida generosidade do que da fria e cega justiça. Contudo, resta a saber se tais sentimentos podem dar certo na organização de uma sociedade.

     Surpreendentemente, a resposta é SIM; não só podem dar certo,  como,  já deram certo, realmente !

     Entretanto, o sucesso se deve a um outro ingrediente no caráter  feminino, a flexibilidade, que  permite à mulher, alternar e dosar todos os seus sentimentos.

     Em verdade, o sexo feminino, já monopolizou a administração da justiça, desde o começo dos tempos.

     Tudo começou quando a fêmea de nossos  mais primitivos ancestrais foi compelida a dividir, entre todos os filhotes da mesma ninhada, o escasso leite de suas poucas tetas. Fato interessante,  foi que as fêmeas descobriram, bem antes de  Karl Marx, que era preciso dosar as quantidades   de acordo com as diferentes necessidades de cada um,  sob pena de observar a SELEÇÃO NATURAL sacrificar seus  filhotes mais necessitados.

    As fêmeas que se revelaram mais competentes na administração desta qualidade de justiça,  predominaram na espécie porque deixaram mais descendentes.

     É por isto que, para as mulheres, a administração da justiça não é nenhum ato racional ou emocional; é, singelamente, um ato instintivo. Esta simplicidade dá às mulheres,  uma enorme superioridade sobre os homens !

    Não há porque temer que as mulheres continuem fazendo o que sempre fizeram com sucesso, ao longo das gerações.

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O LIVRE ARBÍTRIO 

     Embora apareça contaminado com significados filosóficos, místicos ou religiosos,  o exercício do livre arbítrio é uma função fisiológica comum,  necessária à preservação da vida e da saúde do homem.

- Este, ao longo de  sua evolução,  aprendeu -  por experiência própria e para sobreviver - que o mundo é “determinista”, quer dizer, que uma mesma causa produz sempre um mesmo efeito, para fins práticos e na escala de nossos sentidos, pois as dúvidas científico-filosóficas, a respeito do determinismo, não estão ao alcance da compreensão do homem comum, nem interferem em suas decisões cotidianas.

   Embora  faça isto inconscientemente, o homem registra em sua memória todas as conseqüências de cada uma de suas ações, porque, também aprendeu que tais conhecimentos  são necessários para a sua sobrevivência.

   Por outra parte, usando  sua imaginação, o homem pode fazer, antecipadamente,  experiências mentais (idealizadas) e comparar os diferentes resultados destas experiências;  depois, pode escolher aquele que mais lhe convém, para, só então, tomar a decisão de  executar aquela ação já experimentada mentalmente.

      Podemos dizer que o livre arbítrio é esta  capacidade, que o homem tem, de escolher,  entre todas as ações disponíveis, aquela ação que lhe prometeu resultado mais prazeroso, nos ensaios mentais realizados.

   Cabe observar que o “prazer”,  do qual estamos tratando, seria  a conseqüência psicologia de uma sensação fisiologia que ocorreria  por ocasião do deslocamentos de substancias,  na busca de um melhor equilíbrio físico-químico dentro do respectivo organismo; ou seja:  o prazer psicológico decorre da recuperação do equilíbrio fisiológico que significa a  satisfação de uma necessidade biológica. Entretanto, toda esta  seqüência se desenrola exclusivamente no plano mental como recordações ou deduções de experiências anteriores.

     A rigor, somente uma opção poderia ser a mais prazerosa, daí, que o “livre arbítrio”  não foi, realmente,  “livre”, pois, foi a conseqüência "determinada" por um processo mental de medição. Também, a ação  não foi “determinada”, no sentido mecanicista da palavra, porque todas as experiências foram apenas imaginadas (mentais), fora da cadeia seqüencial da causalidade, mas , segundo a cadeia seqüencial das memórias.

      Nesta altura, nos deparamos com a ocorrência de um novo processo mental - a memorização de sensações (abstratas) - que se manifestou com  a necessidade de memorização das  sensações a serem medidas.

     Sabemos, que isto realmente acontece porque a simples lembrança destas sensações memorizadas pode provocar reações agradáveis, no corpo, que serão tão reais, ao ponto de serem mensuráveis, pela dosagem da “endorfina” que tais lembrança liberam  no organismo.

    A escolha, quando houver, será a busca do maior prazer, o que não deixa de ser a  “vontade” do indivíduo, pois ele está condicionado a optar sempre pelo maior prazer, ou seja, pela maior dosagem de endorfina.

     Assim, a “força de vontade”,  que impulsiona o indivíduo a executar uma  ação, deve ser proporcional  à  liberação de endorfina esperada, para a respectiva ação. Contudo, este assunto precisa ser melhor estudado, em laboratórios, pois, aquilo que estamos chamando, genericamente,  de “endorfina” pode ser diferentes substâncias, ou, até devido a outras causas. Também, nossa dificuldade para encontrarmos as palavras apropriadas, para uma descrição do fenômeno, confirma que estamos numa área nebulosa, onde tudo ainda está para ser estudado... queríamos, apenas, libertar este tema do misticismo que o prejudica, para discuti-lo no plano material, onde vivemos. A conclusão, da qual estamos nos aproximando,  é a de que o prazer tem a função de orientar o ser vivo para a opção do modo de vida mais saudável.

     Devemos considerar, ainda, que os seres vivos são educados, ou condicionados, por dois estímulos opostos: prazer ou dor,  correspondentes a prêmio ou castigo. Estivemos discutindo, somente,  o estímulo do prazer, mas, subentendemos que a “repulsa” (estímulo da dor) comporta considerações simétricas (opostas) às apresentadas para o prazer.

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A EVOLUÇÃO

     Em caricatura, o cientista é um indivíduo

 ligeiramente maluco que reúne diversas substâncias

 em uma proveta...

     Eventualmente, podem acontecer  reações  químicas

que gerem novas substâncias,  diferentes  daquelas  que

formavam o coquetel inicial da  proveta.  Neste  caso a

"experiência" se torna um sucesso!

     Entretanto, para fazer "experiências"  deste  tipo

não precisa ser nenhum "Professor Pardal"; nem é

 preciso ser  GENTE!

     Estas reações químicas vem acontecendo

 espontaneamente,  na natureza, há bilhões de anos,

 bilhões de vezes e  em bilhões de lugares.

     Todos  conhecemos  a "ferrugem" que dizemos

 impropriamente que "ataca" o ferro. Ela serve bem

 para exemplificar este tipo de "experiência".

     Sempre que deixamos alguma peça de ferro exposta à

umidade, mais cedo ou mais tarde, ela  enferruja,  quer

dizer, forma-se sobre ela uma camada de uma  substância

vermelha, a ferrugem, que não existia inicialmente.

     A nova substância  resulta  de  uma reação química

entre o ferro e a água. O  "cientista"  que  juntou  as

duas substâncias foi a própria natureza, fazendo chover

(água) sobre o  ferro.

     O mar pode ser considerado uma enorme proveta.

 Todos os rios do mundo jogam para dentro desta

 "proveta", diariamente, milhões de  toneladas  das  mais

  variadas substâncias  químicas. Praticamente  TODAS as

  substâncias existentes sobre a terra, em sua enorme

 variedade, são dissolvidas ou corroídas  pelas  águas

dos  rios e acabam depositadas no mar.

     Assim, pode ocorrer no interior dos mares qualquer

tipo de reação química, mesmo aquelas  desconhecidas  e

jamais imaginadas pelo professor Pardal...

     Sabe-se  que  a vida  teve começo nos mares e pode

ter  resultado  de uma  feliz seqüência de tais reações

químicas  que montaram a estrutura de uma primitiva

 célula. Se esta célula recebeu um "sopro divino" antes

 de começar a agir por conta própria, já é  uma  questão

de fé que foge do âmbito deste ensaio.

     Em verdade, a natureza usou o processo de

 "experiência e erro" porque não podia haver nenhum

  objetivo a priori. Se o produto  de  algum processo

 se preservava, se era estável,  passava a ser "útil",

pois vinha  a ser um novo ingrediente que enriquecia o

conteúdo  da  "proveta", ampliando o número de reações

 possíveis; caso contrário, o produto se perdia e

 não havia alguém  para  registrar  a sua história...

     A teoria da evolução das espécies nos explica,

de modo aceitável, como foi possível o

 desenvolvimento das diferentes formas de vida,

 a partir  da  ocorrência  de alguma célula viva

 inicial.

     Segundo aquela  teoria, os   seres vivos

 estão sujeitos ao  fenômeno  de "mutação"  podendo

 gerar filhos diferentes dos  pais, que

 dariam  origem a novas espécies.

     A mutação é um erro que pode ocorrer no processo

de cópia do código genético da célula-mãe para a

célula-filha.

    Quando este "erro"

aumenta, de alguma forma, a eficiência do novo ser,

 este, prevalece

sobre os                                                                                                                                                                                                                                                           demais                                                                                                                                                                                                      descendentes e acaba modificando toda a espécie, pelo

processo de seleção natural. 

     Na sucessão  destas  novas espécies, a vida foi se

tornando progressivamente mais  complexa  até atingir o

grau de extrema sofisticação que encontramos no cérebro

humano, hoje em dia.

     Os animais atuam na natureza, orientados por  seus

instintos e estes instintos são controlados por uma

espécie de ética natural que se desenvolveu com

eles. Assim, não se  encontra, na natureza,  chacinas,

sadismo ou  quaisquer manifestações de "maus instintos",

que são freqüentes entre os homens. Esta ética é uma

conseqüência da seleção natural, pois, aquelas espécies

que não protegeram seus semelhantes, que os  deixaram

morrer ou mataram, conseqüentemente, também  deixaram

poucos, ou nenhum, descendentes e acabaram se

extinguindo.

     No homem, contudo, a inteligência perverteu a

primitiva ética  do instinto tornando  possível

 uma catastrófica associação de inteligência  com maus

instintos e é esta associação deletéria que vem

impedindo a felicidade dos homens.

- Com  sua  inteligência, o homem aprendeu a extrair

energia do átomo para aplicar em seu conforto;

... com  seu  mau instinto, fabricou bombas atômicas e

as jogou sobre seus semelhantes...

- Com sua inteligência, o homem aprendeu a

organizar uma sociedade industrial moderna,

extremamente eficiente, capaz de gerar abundância,

conforto e  felicidade para toda a  humanidade;

... com seu mau  instinto, implantou  uma

distribuição

de renda tão perversa que condenou a maior parte

desta humanidade a levar uma vida miserável e

infeliz, sem educação, sem saúde, sem terra, sem teto...

sem vez!

    Isto não  quer dizer que a evolução só tenha

produzido criaturas de maus instintos; pelo

contrário, podemos encontrar bons instintos na maioria

dos homens.

     Aconteceu  que  a minoria formada pelos piores

indivíduos passou  a  dominar a terra, por força mesmo

de seus maus  instintos.

     É só olharmos ao redor e descobrimos que são raros

os homens que foram  bem sucedidos e conquistaram algum

poder  como prêmio de suas virtudes.

     Subiram com mais facilidade  e conquistaram  maior

poder aqueles que se revelaram  mais egoístas, mais

gananciosos, mais  inescrupulosos,  mais mentirosos, mais

hipócritas,  mais corruptos... mais vis.

     Entretanto, ainda existe uma fraca esperança  para

a humanidade. É que o evolução continua em  andamento e

o processo de substituição do instinto animal pela

inteligência não foi completado.

     Pode acontecer que a inteligência algum dia  venha

a controlar  os maus instintos,  antes do egoísmo

capitalista chegar a esgotar os recursos naturais do

planeta e  poluir a terra  a ponto de  tornar  impossível

a continuação da vida humana...

 

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SOBRE O ABORTO

     O aborto de fetos humanos é praticado aos milhões em  todo  o mundo e isto já se faz  há muitos séculos, mas vem se  tornando mais freqüente, na medida em  que está aumentando a população da terra.

     Esta prática tão universal e corriqueira forçosamente acabaria por gerar sua  própria ética, já que os teólogos, legisladores, juristas, políticos e moralistas se perderam em discussões interminável, geralmente impregnadas de hipocrisia, que não levaram a nada...

     Na prática, prevaleceu a  aceitação de que a gravidez é coisa do foro íntimo da mulher, onde a  sociedade não deve intervir, pois mesmo  que  queira se intrometer, não tem  meios apropriados para fazê-lo.

    É mais  por força desta  impossibilidade de intromissão do que por uma madura compreensão da sociedade, que o aborto continua  sendo  praticado em escala universal.      Entretanto isto  é  feito  na clandestinidade, sem  as necessárias condições  de segurança, por falta da legalização necessária. É que nossos  políticos temem contrariar  uma parcela do eleitorado, pequena mas militante,  intolerante  na  invulnerabilidade de suas crendices e preconceitos.

     O feto nem é um ser propriamente dito, é um apêndice ou parasita totalmente dependente de sua mãe, que nunca poderia vingar sem o decidido e imprescindível empenho dela !

     Nenhum  legislador, de moderado  bom  senso, pode pretender que venha  a  ser cumprida alguma lei “muito bem bolada” por ele, mas contrária à vontade da mãe e ao senso comum...

     Mesmo assim, do alto  de  sua arrogância ou ignorância, alguns, fecham os olhos para a realidade e ousam “proibir” o aborto, que estão vendo praticado, por vezes, até no seio de suas próprias famílias !...

     A partir de uma "certa idade" que coincide, aproximadamente, com o dia em que a  mulher passa a sentir fisicamente a presença do feto  em  seu ventre, já por

simples força de  seus instintos animais, ela começa a proteger particularmente aquela parte do corpo  contra qualquer eventual contusão. Isto quer dizer que ela já começa a proteger o seu feto.

     Em raras ocasiões, motivações de  origem social se contrapõem ao instinto feminino  provocando dúvidas lancinantes  na  alma  de  um mulher. Ela vacila entre discordantes impulsos: seguir aquilo que reclama o seu instinto ou  o  que lhe dita a razão; manter ou interromper a gravidez ! Qualquer que seja a motivação contrária à gravidez, será  sempre um apelo  extremamente doloroso  para  a mulher. Deve ser coisa muito séria e muito forte  para  que  seja  capaz  de lutar contra o principal instinto feminino.

     Por isto, ninguém pense ou tema  que o aborto possa vir a ser banalizado ou generalizado, ao ponto de ameaçar a continuação da espécie humana.

     O feto, como embrião  da vida, sempre será respeitado e  protegido  pela própria mulher  naquilo que ele tem de real e de sua propriedade, que  é  o conjunto de sensações que provoca no  organismo da mãe e no imaginário  dela, mas  nunca  nas  especulações filosóficas de terceiros e  ociosos "pensadores".

     Faz parte de  nossa cultura matar e devorar, com o maior despudor, toda a sorte de animais e vegetais, nos quais não encontramos, ou não procuramos, ou  negamos a ocorrência de alguma "vida psíquica", mesmo sem  termos estabelecido como se pode reconhecer ou o que significa tal tipo de "vida"...

     Se um feto humano tem alguma  "vida psíquica" isto é impossível de constatar, no nível  baixo e simplista de sua capacidade de  “expressão” e sem sabermos exatamente o que é que estamos procurando.

     Tudo indica que a vida psíquica do feto, só existe na vida da mãe e, fora da  mãe, nem teria qualquer significado.

     A “vida psíquica” de um homem é construída, de fora para dentro, com a memorização dos   significados atribuídos pela mente às sensações captadas pelos sentidos, na interação do indivíduo com o meio ambiente.

   Isto subentende que os sistemas sensoriais já estejam suficientemente desenvolvidos e exercitados para captarem e processarem as sensações, o que não, acontece com o feto. Lembremos que a principal fonte das sensações, que é a vista, só começa a se desenvolver e a se exercitar, depois do nascimento da criança, depois que ela abre os olhos.

      A legislação, no Brasil  e lá fora, já admite o aborto, em  casos  particulares, tais  como, de estupro, de salvação da mãe, de prevenção de doenças, etc...

     Isto já derruba o princípio teológico da intocabilidade da  “vida”  do feto e abre caminho para um enfoque mais racional do problema...

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A FIDELIDADE, SENTIMENTO EM EXTINÇÃO (01/07)

 

     Costuma-se dizer que é “fiel”, aquele indivíduo que só mantém relações amorosas com a pessoa com quem se comprometeu...

      Embora se trate de um sentimento humano, pode-se encontrar entre alguns animais um instinto correspondente que mantém muitos casais juntos durante toda uma vida.

      Nos seres humanos, a fidelidade pode ser explicada como um sentimento necessário à sobrevivência da espécie. É que, diferente das demais espécies,  a criança depende da assistência e da proteção de seus pais por muitos anos, antes de  ficar capacitada para se alimentar e se defender sozinha.

     A seleção natural fez com que chegassem à idade adulta - com capacidade de reprodução e em maior número - aqueles  filhos de casais fieis, porque, com a colaboração do homem, estes casais  tiveram melhores condições para protegerem seus descendentes  durante  longas infâncias.

     Tendo em vistas que um novo filho nascia, com menos de dois anos de intervalo, bem antes do anterior se emancipar, o acasalamento dos pais tendia a prolonga-se por toda a vida e isto ficou registrado como uma característica da espécie que gerava  um sentimento de "fidelidade".

      Posteriormente, quando novas  relações sociais e econômicas se estabeleceram nos costumes da sociedade,  as   mulheres passaram a controlar sua fertilidade, tendo menos filhos e tornando-se menos dependentes do homem, até  que optaram por se emancipar  totalmente.

     Algumas poucas, buscando  liberdade econômica e amorosa, mas, sem  melhores aptidões,  chegaram  até a se prostituir. Outras, em sua grande maioria,  abraçaram  profissões  das mais diversas, desde que lhes dessem liberdade para diversificarem seus parceiros  amorosos.

     Entretanto, aconteceu que, ao passar, de homem em homem, a mulher foi  destruindo  seu sentimento de fidelidade, de forma irrecuperável. Assim, ela   deixou de ser confiável, para novos amores mais  duradouros, sinceros e  prazerosos porque o homem,  que não evoluiu no mesmo sentido, continuou  cobrando dela,  a velha fidelidade,  que fora o sustentáculo dos antigos casais, mas,  que a nova  mulher emancipada não tem mais para dar.

     Isto vem encurtando a vida  dos poucos casais que ainda se constituem atualmente e provocando uma instabilidade  no seio das  famílias, que ninguém sabe aonde vai levar...

     O homem, por sua parte, cuja participação na criação dos filhos era opcional, pois não amamentava, também, nunca primou pela fidelidade amorosa que, na ausência de maior necessidade, talvez nunca tenha desenvolvido completamente.

    Assim, por falta de continuístas,  a fidelidade amorosa entrou  no presente século, como um sentimento em extinção.

      Bem recentemente, vem se delineando nas relações humanas, um novo sentimento que tende a substituir a velha fidelidade e que poderia ser chamado de "lealdade conjugal". Nestes casos, os cônjuges preservam a liberdade para  romper a relação, com aviso prévio, antes da prática de qualquer traição ofensiva, que só teria cabimento se ainda existisse dependência econômica de alguma das partes. 

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O PROBLEMA POPULACIONAL

     As bactérias são seres vivos muito simples, formados por uma única célula. Quando encontram meio ambiente favorável (ou caldo de cultura), elas se reproduzem com incrível velocidade e formam colônias cuja população pode dobrar de quantidade no espaço de poucos minutos. Com esta mesma velocidade, elas vão consumindo os alimentos disponíveis e, também, vão envenenando o meio ambiente, ao qual entregam crescente quantidade de seus próprios dejetos.

     Nestas condições, bem cedo, o alimento se acaba, o meio ambiente se transforma em puro veneno e toda a espécie morre. Não é que as bactérias desejem esta morte assim inglória, é que elas são incapazes de pensar para desejar e planejar qualquer coisa melhor.

     O homem, sendo um animal inteligente, não poderia cometer os mesmos erros das bactérias, mas está cometendo! A população da terra vem crescendo em progressão geométrica e já passou dos seis bilhões de habitantes! Toda esta gente está consumindo os recursos naturais disponíveis e vai envenenando o meio ambiente com os dejetos de sua "civilização". Como não existe nenhuma política ou plano populacional e ninguém faz alguma coisa para deter esta explosão demográfica, seria de se prever o fim da espécie humana já para o final do século, mas isto não acontecerá! A humanidade não irá morrer como uma colônia de  bactérias porque não haverá um fim numa data determinada. A morte da espécie será mais do que lenta; será uma agonia interminável que, aliás, já começou! O número de criaturas pobres, doentes e famintas cresce mais depressa do que o restante da população. Hoje, estes infelizes já representam quase a metade dos habitantes da terra.

     É verdade que estas estatísticas poderiam ser melhoradas se houvesse maior justiça social com uma melhor distribuição dos recursos do planeta, mas isto também duraria pouco tempo.

     Para se manter vivo, o homem consome recursos minerais do planeta que, depois de passarem por diferentes processos de transformação, resultam em alimentos, vestuários, remédios, moradias, equipamentos, etc. Tais recursos estão disponíveis em quantidade limitada e não são renováveis pois, mesmo aqueles considerados recicláveis sofrem perdas significativas neste processo. A tendência natural e inevitável é a progressiva redução do estoque existente, até à exaustão. Assim, quanto maior for a população consumidora, mais rapidamente esgotará todos os recursos.

     Por outra porte, mesmo que imaginássemos uma organização social mais justa, onde os recursos disponíveis fossem distribuídos em partes iguais para todos, chegaríamos à evidência de que quanto maior for o número de habitantes menor será a parte que caberá para cada um e pior, seu padrão de vida. Podemos concluir que, quanto menor for a população da terra, a espécie humana viverá por mais tempo, sobre o planeta, e será mais feliz porque disporá de maior riqueza por habitante.

     Apesar desta evidência, o neoliberalismo egoísta e obtuso que tomou conta do mundo impede qualquer planejamento populacional que permita melhorar a expectativa de vida para a humanidade. Ficam estas perguntas:

  - Que instinto estranho é este que leva os indivíduos comuns  a desejarem uma vida eterna e feliz, não só para si mesmo, mas, para toda a humanidade;                                                       

 -  Serão os neoliberais uma espécie de mutantes que perderam a consciência de sua própria humanidade ?

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A PRETENSÃO HUMANA

 

     Não foi por livre escolha que o homem  veio a ser um animal pretensioso. Foram os processos empregados pela natureza, para o desenvolvimento dos sentidos e do cérebro dos animais, que levaram o homem para os descaminhos da  pretensão.

     Acontece que nossos principais sentidos – tato, olfato, gosto, ouvido e vista – são de curto alcance. Eles só conseguem captar e informar ao cérebro sobre as coisas que acontecem nas imediações, ao redor do ser.

      Automaticamente o homem passou a se sentir como sendo o centro do único universo conhecido e a acreditar que todo esse universo era só dele e que só existia para servi-lo.

     Estes sentimentos egocentristas foram se consolidado na medida em que as observações se ampliaram e se distanciaram do ser, e este, continuou no centro de um maior, crescente e mais variado domínio.

     Contudo, o egocentrismo logo se revelou como sendo o maior entrave para um posterior desenvolvimento da ciência.

     Nicolau Copérnico teve que lutar muito para convencer a humanidade de que era o Sol, e não a Terra, o centro do universo conhecido naquela época  Teorias posteriores deslocaram este “centro” para outros pontos distantes,  dentro ou fora da  “galáxia local”. Hoje, já se acredita que este “centro” não existe, pois pode estar em qualquer lugar que quisermos imaginar...

      Ao  longo de toda a história da humanidade, qualquer desenvolvimento, em qualquer campo do interesse humano, só aconteceu  quando o homem conseguiu superar mais algum destes  seus preconceitos  antropocentristas ou egoístas.

     Logo que passou a olhar o universo pelo lado de fora, como observador comum, o homem compreendeu que todos os pontos de vista eram equivalentes.

     Visto sob este novo prisma, o universo se tornou mais simples, compreensível e verdadeiro.

     Mesmo assim, o homem não assumiu uma postura mais humilde, condizente com sua condição cosmológica, de ente comum, recém-descoberta por ele mesmo. Pelo contrário, ele passou a super-estimar seus dotes naturais. Agora, ele acredita que seus grosseiros e primitivos sentidos fornecem informações fidedignas e suficientes para que seu cérebro, desenvolvido apenas para ajudá-lo na luta pela sobrevivência, consiga raciocinar  com a perspicácia necessária para decifrar todos os "mistérios" do universo ! ...

     Esta crítica que estamos fazendo, talvez seja a menor, dentre todas as nossas pretensões, porque já parte do reconhecimento de nossas atávicas deficiências...

     Nosso ponto de partida, na busca do conhecimento, só pode ser aquilo que   sentimos quando interagimos com a natureza pois estamos conscientes de que todas as idéias, conceitos, raciocínios e demais manifestações de atividade mental  são geradas e construídas a partir  destas sensações imediatas e não poderiam ter outra origem.

    Segundo este raciocínio, já se percebe que as informações e os  conhecimentos captados sensorialmente (por nossos sentidos) estão mais próximos da "nossa" realidade e devem ser  mais verdadeiros  do que os conceitos elaborados a partir deles, por processos mentais mal compreendidos e sujeitos a erros, que não comportam verificação.

     Todos os componentes de nossa propriedade mental, que costumamos qualificar de “subjetivos”, com conotação de pouca confiabilidade,  são, em verdade, a melhor aproximação  da “realidade”, que podemos alcançar.

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A RACIONALIDADE HUMANA

 

     Por mais orgulhosos que estejamos  de nossa atual condição de animal racional, não podemos encobrir ou esquecer a fase instintiva pela qual passamos  na infância de nossa  espécie; lá, nos confins do homem.

    Toda a nossa racionalidade  se desenvolveu porque a natureza vem jogando  conosco o jogo de “prêmio e castigo”, que se confunde com o jogo da própria vida.

     A natureza  manteve a nossa espécie no caminho, da sobrevivência e do desenvolvimento, físico e mental,  premiando-nos por nossos passos certos e nos castigando por nossos passos errados, tal como se faz para educar qualquer criança. Contudo, o jogo era muito violento. Na maioria das vezes,  o prêmio do acerto  era apenas a sobrevivência e  o castigo do erro era  a morte do indivíduo.

     Assim ficou gravada,  na memória da espécie, a  relação causa-efeito de cada passo dado. Quando o erro era mais grave, o efeito era a morte; o individuo mal-formado era expurgado da espécie e  não restava alguém para  repetir  os mesmos passos errados daquela estirpe fracassada.

    Na ocasião, ninguém sabia o que era "certo" ou o que era "errado"; nem a natureza "sabia"!  A seleção natural se encarregava de fazer o julgamento.  Quanto mais  acertado fosse o passo, quer dizer,  quanto mais proveitoso para o futuro da espécie, que era o que contava, maior seria o número dos indivíduos descendentes  que perpetuariam e disseminariam as características daquela estirpe bem sucedida.. Assim, a natureza convertia um julgamento qualitativo - erro ou acerto - num dado quantitativo -  número de descendentes -.

     A evolução se orientava para produzir espécies cada vez mais eficientes na luta pela preservação e disseminação da vida, indicando que este é o aparente, e talvez único,  "objetivo" da vida".

   Mas, note-se que a natureza não tem "objetivos",  planejados ou almejados previamente; em verdade,  ela tem apenas "resultados", neutros, de suas ações, que são qualificados, posteriormente, pelos homens.

     A racionalidade foi revelada e depurada pela seleção natural porque aqueles indivíduos que processaram  mais conseqüentemente (segundo as leis e  a lógica da natureza) as informações captadas pelos sentidos, também se tornaram  mais eficientes na luta pela vida, deixaram mais descendentes e predominaram  na espécie. Foi  por isto que o cérebro resultou  mais apto para guiar o homem  numa disputa física do que numa discussão "filosófica".

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GÊNESE

 

      No começo existia a matéria com força própria para se transformar e ela se diversificou em dezenas de elementos diferentes. Estes elementos se combinaram e  se misturaram até evoluírem para a organização de um cérebro humano com a capacidade de pensar.

      Por mais que nos esforcemos, não conseguimos descobrir ou inventar uma explicação qualquer para a origem de tudo, quer dizer, do universo que inclui nós mesmos; é porque as coisas precisam existir, ANTES, para que possamos tomar conhecimento e raciocinar sobre  elas. Podemos descobrir a história de nossa evolução, mas, nunca de nossa origem porque tal origem não pode ter sido  um fenômeno natural, destes subordinados  ás leis física que conhecemos, como sendo relações entre causas e efeitos.

       O reconhecimento desta limitação natural e intransponível alimentou a  fantasia mística de pessoas mais simples que passaram a acreditar  na existência de uma entidade precursora e criadora da matéria, que chamaram de “criador”; mas, quem teria criado tal “criador” ?...

      Evidentemente, esta suposta “explicação” é insuficiente para uma mente mais exigente que não se aquieta com uma simples protelação da ocorrência de um primeiro  “criador”. Será intelectualmente mais honesto  reconhecermos que nada sabemos nem  podemos explicar. 

      No terreno das especulações, podemos imaginar que nosso universo conhecido esteja envolvido ou permeado por outros universos desconhecidos, subordinados a leis tão diferentes que dêem explicações para  fenômenos  tão  inusitados que nem conseguimos imaginar... as fantasias são ilimitadas...

     Contudo, para nós, o mundo real e verdadeiro é este, onde atuam os nossos sentidos que alimentam, com informações, a  nossa mente,  para que tenhamos a consciência de existir; coisas que não podemos nem perceber não podem ter substância e não passam de fantasias...

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SOBRE A SELEÇÃO NATURAL

 

      Não se sabe onde foi que a  VIDA teve origem nem se ela se originou em vários pontos do universo, ou em diferentes ocasiões. O estudo dos fósseis nos permite deduzir apenas que, aqui na terra, a vida evoluiu desde a forma da mais simples célula até à organização extremamente complexa de um ser  humano.

     É por força de sua complexidade que a célula viva se deteriora e perece em pouco tempo, mas, compensa esta deficiência multiplicando-se  muito rapidamente.

     Neste açodado processo de multiplicação, que envolve o deslocamento de milhões de moléculas, são freqüentes os erros, na cópia do código genético, da célula-mãe para  a célula-filha.

     Cada erro, que gera uma célula filha geneticamente modificada, pode provocar uma mutação na espécie, desde que esta nova célula resulte mais eficiente na luta pela preservação da vida. Os descendentes desta célula mais eficiente serão mais numerosos e passarão a competir com a velha estirpe, até substituí-la completamente.

           A vida evolui no sentido de ser, cada vez,  mais eficiente para se preservar a si mesma, apenas isto; sem manifestar a menor tendência para ter qualquer outra “finalidade”, fora de si mesma.

     Neste caso, também se repete uma característica comum a todos os fenômenos naturais. É que eles nunca nos ensinam algo  verdadeiramente novo que nos permita aprofundar nossa compreensão filosófica da natureza. Sempre que analisamos suficientemente algum fenômeno, ao ponto de compreendê-lo, nos damos conta de que não “descobrimos” nada mais do que o ÓBVIO.

      Isto,  já era de se esperar. Sendo o homem um “produto” da natureza, nossos instrumentos de observação (sentidos) e de raciocínio (cérebro), que foram desenvolvidos pela natureza, só poderiam nos levar àquelas mesmas conclusões já encontradas empiricamente pela própria natureza... Não há como nos “libertarmos”, racionalmente  (ou intelectualmente), de nós mesmos, das limitações do corpo que nos suporta!

      Assim, a seleção natural só poderá aprimorar nossa capacidade para a luta física mas  nunca nos levará à  compreensão de “porque” lutamos.


Observação: O fenômeno do "Big Bang", que teria marcado o começo do "tempo", não pode ser considerado "obvio", como os demais fenômenos. Este fato contraria a lógica de nosso raciocínio e a coerência filosófica  nos leva a entender que não se trata de um fenômeno único, mas, que, pelo contrário, é cíclico e eterno.

     Vivemos num  universo pulsante que   explode e se contrai periodicamente, apagando, em cada explosão, todas as referências materiais indispensáveis para o registro da passagem do tempo. É que este registro só poderia ser feito em alguma mídia que não participasse da explosão, que fosse imaginada fora do universo. Assim, os treze bilhões de anos atribuídos à idade do mundo são, em verdade, apenas o tempo decorrido desde a última explosão. Se despacharmos a nossa imaginação para percorrer uma seqüência (trem) de big bangs, nosso singular e aparentemente "descomunal" big bang pode  equiparar-se a uma insignificante explosão de um núcleo atômico, destas que podem acontecer bilhões de vezes, em cada  segundo.

      Quando nos defrontamos com a eternidade percebemos a pequenez de nosso sistema conceitual que não tem como concebê-la.

 

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NOSSA VIDA PSÍQUICA

 

      Tudo começa pela interação do recém-nascido com o meio ambiente. Os sinais provenientes do mundo exterior atingem os sentidos do novo ser e provocam sensações de luzes, sons, odores, sabores, etc., que não podem ser reconhecidas, de imediato, mas que são memorizadas automaticamente (ou anonimamente).

      Com as repetições, a mente da criatura vai aprendendo a diferenciar um sinal do outro e passa a distinguir e a identificar cada uma das diferentes sensações captadas por seus sentidos. Sua evolução mental não pára mais e, bem cedo, ela começa a sentir atrações ou repulsas pelas diferentes coisas: passa a gostar de música ou  a detestar barulhos; a preferir o chocolate ao jiló, etc.

     O conteúdo psíquico do ser vai sendo construído, passo a passo, por um processo de memorizações e associações das sensações, extremamente complexo e intricado.

      Esta construção é feita, de fora para dentro, como registros – numa nova mídia biológica (vazia) - das sensações captadas e processadas pelos sentidos, que se desenvolvem e se exercitam, no decorrer deste processo.

     As associações entrecruzadas, dos diferentes significados ou sensações, geram novos dados que enriquecem a vida psíquica daquele ser.

- Por exemplo: A mãe, que amamenta para saciar a fome da criança, tem cheiro de leite, colo morno que balança embriagadoramente, lábios que acariciam e  cantam cantigas de ninar...

      Para a percepção da criança, esta mãe só  pode ser um “ente querido”, pois,  até os sentimentos nascem como decorrências das sensações captadas !!!

     Fica evidente que a vida psíquica, de um ser humano, só pode ter começo depois que estejam desenvolvidos e exercitados  alguns sentidos capazes de captarem e processarem as informações provenientes do meio-ambiente, que alimentam tal vida. Assim,  os argumentos a favor de uma possível vida psíquica em fetos humanos ficam limitados às emoções que conseguirem provocar nas pessoas propensas a acreditar.

     Mais evidente ainda é o fato que a vida psíquica cessa, logo     que falhe a complexa organização (material), da qual ela depende, visceralmente.

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MATERIALIZAÇÃO DO PENSAMENTO

 

    Qualquer coisa do universo pode ser referida, ou evocada por uma palavra, que é o seu NOME.

      A memorização é alcançada com a retenção deste nome no cérebro do ser pensante. Isto

significa que qualquer nome, ou palavra, deve ter alguma substância (material), que possa ficar guardada,  permanentemente, nos   cérebros,  para ser evocada, oportunamente.

     Deve haver, no humor interno do cérebro, uma substância muito  especial, tão amoldável que possa assumir um número incalculável de formas, suficientes para gerar símbolos (nomes) diferentes para todas as sensações (simples ou combinadas) que o  corpo  humano possa captar (sentir).

      Procurando algum material que se preste para esta função, vamos encontrar os circuitos elétricos formados pelos neurônios.

      É que o cérebro humano contém uma enorme  rede de longas células condutoras de eletricidade (neurônios), cada qual, dotada de dezenas de ramificações   (dendrites), terminadas por comutadores (sinapses), que podem  se ligar (e desligar) com outros terminais, próximos,  re-orientando os fluxos das correntes elétricas cerebrais  por diferentes percursos (circuitos). Isto acontece tão rapidamente,  que  o cérebro pode re-organizar seus circuitos elétricos  em milhões de esquemas   diferentes, em questão de segundos.

       As possibilidades de variações são quase infinitas e há indícios de  que cada diferente esquema dessa trama cerebral corresponde a uma idéia diferente, no todo ou em parte.

       Assim, cada pensamento (imaginário), pode ser o significado de um símbolo material  (real),  que é o  circuito elétrico de neurônios, que está no foco da percepção do ser pensante,  naquele momento.

      O fenômeno da memorização, ainda,  não é bem compreendido,   mas,  pode ser estudado  através da hipótese da materialização do pensamento.

      Segundo esta hipótese, as sinapses dos neurônios, que participam do esquema correspondente à idéia presente no foco da atenção do ser, sofrem um processo de “fixação”, que as tornam mais duradouras, ou até permanentes, na medida em que se prolonga a  focalização.  Quanto mais tempo a atenção do ser se fixa na mesma idéia,  mais fortes se tornam as sinapses que compõem os circuitos da idéia.. Esta fixação cria um novo ente físico, que é aquele circuito elétrico de neurônios, cujo esquema - único no universo -  passa a ser o “símbolo interno” daquela  idéia,  que fica, materializada, ordenada e arquivada naquele cérebro, quer dizer, “memorizada”.

      Sempre que a atenção do ser passa pelo endereço cerebral daquele símbolo,  o significado, que fora captado para o mesmo, aflora à consciência do ser.

      O significado de um símbolo  é o complexo de sensações sentidas pelo organismo do ser, no momento em que este  focaliza sua atenção no respectivo símbolo, quer seja numa primeira vez ou numa repetição.

     Note-se que o significado  é, sempre,  uma “sensação”  “sentida” pelo organismo do ser e que o símbolo é, sempre,  um ente real, externo (um objeto qualquer) ou interno (circuito de neurônios “fixados” pelo cérebro). A presença do símbolo externo induz o cérebro a localizar e focalizar a versão interna (cópia) do mesmo símbolo, quando houver.

     O verdadeiro “significado” é exclusivamente subjetivo (sentido apenas pelo organismo) e não pode ser substituído, nem representado, com propriedade, pela descrição verbal que  costumamos (ou podemos) fazer.

      O significado é atualizado constantemente, de acordo com as últimas sensações do organismo, que nunca para de sentir novas sensações.

     Sempre que se repete  o mesmo símbolo,  no foco de atenção da memória, afloram à consciência do ser as últimas sensações (significado) que foram captadas para aquele símbolo e estas sensações passam  a ser atualizadas pelo organismo, “em tempo real”, enquanto perdura a mesma focalização. Mudando o símbolo focalizado, mudam as sensações do organismo e é o significado do novo símbolo que passa a ser atualizado.

      Alguns símbolos mais primitivos repetem  sensações tão fortes que assumem o comando de todo o organismo, como são os casos dos símbolos de alguns alimentos, que podem compelir  um animal (inclusive um homem) a se movimentar, em busca daquele alimento,   já salivando.

    O fenômeno da associação de pensamentos deve ter sua origem no remanejamento dos dados armazenados na memória.

      Tendo em vista que o cérebro se desenvolveu na direção de aumentar a probabilidade de sobrevivência do ser, de nada valeriam os dados sobre os perigos, armazenados na memória, se eles não fossem consultados e comparados, constantemente,  com as situações presentes.  Isto nos sugere que o cérebro mantém um trabalho permanente de varredura, no conteúdo da memória, procurando lembranças de perigos que poderiam coincidir com a situação presente.

      Na seqüência da evolução, esta varredura cerebral passaria  a ser aproveitada para novas funções, como seria, por exemplo, ensejar o encontro entre dois dados, ou blocos de dados, com características seqüenciais, reveladas pela complementaridade de suas respectivas sinapses livres... 

      Estivemos considerando apenas alguns aspectos  de um processo incalculavelmente mais complexo, sutil e abrangente, como é o pensamento.

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Falsas "Certezas"

 

     Até o começo do século vinte, o homem se sentia como um virtuoso jogador universal de xadrez.  “Espaço” e “tempo” deixaram de ser conceitos misteriosos, para  tornarem-se entidades quase familiares descritas numa linguagem  intuitiva ao alcance de todas as mentes, graças às propriedades absolutas atribuídas pela  mecânica de  Newton a aquelas dimensões primitivas.

      Debruçado sobre um tabuleiro, quadriculado pelas coordenadas de  Descartes, que representava o espaço, o livre-pensador, da época,  dispunha e movimentava suas peças de xadrez, que representavam todo o conteúdo do universo, com todos os corpos e as forças atuantes. Num canto do tabuleiro, tiquetaqueava um relógio que registrava o fluir de um tempo absoluto e universal, para  ordenar e medir  todos os eventos.

      Para o bem da ciência, este joguinho não durou muito. Bem cedo o homem percebeu que os resultados dos cálculos, feitos dentro daquele tabuleiro,  não batiam certo. com os valores medidos na prática. Michelson provou isto com o seu famoso interferômetro e Lorentz tentou explicar que  o espaço se contraia e o relógio se atrasava, na medida em que  aumentava a  velocidade da movimentação das peças !?...

     Não houve como encontrar uma explicação para estes fenômenos com os recursos  da linguagem intuitiva usada na época.

     Os livre-pensadores foram obrigados a recolherem seus tabuleiros, seus relógios e suas peças, caprichosamente esculpidas, porém falsas, para darem lugar aos matemáticos.

      Estes, mais sofisticados, encheram o mundo com seus entes-de-razão, que ninguém apalpa ou vê, e operaram com intrincados vetores e tensores,  de modo tão ininteligível que ninguém ousou   contestar, pois nunca se descobriu quais seriam as "verdades" que eles pretenderam  provar, naquele sistema conceitual interditado aos simples mortais.

      Dando um passo mais adiante, no aprofundamento de nossa desinformação mental,  podemos vislumbrar a possibilidade de o "conhecimento" humano fechar um círculo sobre si mesmo e voltar a considerar o homem observador como sendo o centro do universo, tal como fora antes de Copérnico. Porém, não se trata mais do universo material – de estrelas e planetas -. O que se considera  agora é o universo mental, aquele que se forma em nossas cabeças como uma interpretação que damos para as informações captadas por nossos sentidos. Bem sabemos que tal interpretação, subjetiva por origem, é  de  escassa serventia e nenhuma confiabilidade,  mas... talvez seja a única "certeza" ao nosso alcance.

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CORRIGINDO O "BIG BANG"

       "Big Bang" foi uma expressão inventada por Fred Hoyle para ridicularizar a crença de que o universo teria sido  "criado" por uma explosão, - não se sabe de "o que" ainda não existia - que teria marcado um  início para a contagem de um tempo universal...

       A idéia de criar uma ordem cronológica para o mundo era tão excitante que muitos cientistas se precipitaram a este trabalho, antes de  analisarem seu verdadeiro significado.

       Já que, na  ocasião, ninguém quis se opor a aquele modismo, com o passar do tempo, o tom sarcástico de Hoyle foi sendo esquecido e a "teoria" que ele ridicularizou  foi sendo levada tão a sério  que acabou perdurando até hoje...   

     Pensando melhor, um fenômeno de tal magnitude,  que destrói todos os referenciais físicos do universo, está fora do alcance de qualquer contestação científica (que seria necessariamente física),  daí, o silêncio dos cientistas...

      Já, para  os filósofos, que podem estender sua imaginação até muito além dos limites físicos do universo, esta  idéia, pelo contrário, é por demais constringente, porque implica a finitude do tempo. Porém, ela  pode ser dimensionada corretamente, se admitirmos que o universo é  pulsante; que explode e se contrai, sucessivamente e que os big bangs vêm se repetindo numa seqüência sem começo nem fim,  por toda a eternidade...

      Assim, o tempo que vem sendo contado como se fosse a idade de mundo passa a ser, APENAS, o tempo já  decorrido neste  último ciclo de sua existência !

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O TEMPO

     A mais desconcertante de nossas especulações talvez seja  a pergunta de “o que existia, antes do mundo existir”.

     Esta especulação só teriam cabimento, num sistema conceitual, ou paradigma, onde fluísse um tempo absoluto que estabelecesse referências para o “antes” e o “depois”.

      Acontece, porém, que o tempo não poderia fluir desde o começo do mundo, nem  apenas um "instante" depois, porque ele foi criado  pela  natureza, só bem mais tarde,  depois da criação da  memória dos  animais, como uma dimensão de suas memórias.

     Isto pode ser entendido como se a  natureza  utiliza  todo o material que possui, tudo o que existe no universo, para montar a conjuntura do presente, sem omissões  e não sobra nenhum material para montar as demais conjunturas do futuro.

      Já que não existe, nem se cria, em todo o universo, o material necessário para montar uma seqüência continuada e ilimitada de conjunturas que materializaria o fluir do tempo, esta seqüência deve ser representada por símbolos imaginados que não utilizam nenhuma matéria, daí que o tempo só pode decorrer nos  cérebros capazes de imaginar.

     No cérebro, cada conjuntura das matérias do universo pode ser representada por uma conjuntura correspondente de circuitos de neurônios, cujas efêmeras formas são capazes de representar, em sua seqüência, a sensação, ou a ilusão, do fluir do tempo. É esta ilusão que se insinua em nossas consciências e pode imiscuir-se em nosso sistema conceitual com aparência de realidade.

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CORPO E MENTE 

      É sabido que a mente exerce forte influência sobre o corpo e vice-versa; por exemplo, um indivíduo psicologicamente deprimido é atacado mais freqüentemente pelas doenças porque fica com suas defesas imunológicas enfraquecidas.

      Baseada  nestes fatos, logo nos vem a idéia de tratar das doenças do corpo através da mente, mas os resultados são  decepcionantes.

    Assim acontece porque nós organizamos os nossos pensamentos e formulamos a nossa vontade,  usando mentalmente a linguagem vernácula, do nosso dia-a-dia, mesmo sem expressá-la verbalmente, mas,  nosso corpo não reconhece nem entende as mensagens ou ordens passadas nesta linguagem.     Acresce, ainda que, mesmo que o corpo as entendesse, não teríamos - mentalmente - os conhecimentos necessários para  comandar os processos fisiológicos que se desenvolvem aos níveis dos órgãos, tecidos ou células.

    O corpo só compreende sua linguagem própria (do corpo) que é muito estranha para nós, que só "existimos" (ou temos nossa consciência) na mente, como seres pensantes. É por isto  que algumas vezes somos surpreendidos com o sucesso “milagroso” de algum ritual de magia, passe espiritual, simpatia ou coisa deste gênero, usada  no tratamento e cura de alguma doença do corpo.

       Nos raros casos em que poderíamos atribuir a cura à existência de alguma comunicação entre as duas entidades - corpo e mente – descobrimos  que tal comunicação foi eventual, parcial, ou  aleatória, confirmando que as doenças e as curas do corpo, normalmente se completam dentro do próprio corpo, sem vazarem  ou passarem pela mente.

      A doença, ela própria, deve acionar os sistemas defensivos do ser, encarregados de tentar a cura, e estes sistemas devem estar protegidos contra falsos comandos, ou seja, devem estar fora do alcance da mente ou da vontade errática do ser. Estes  sistemas, que foram  desenvolvido muito antes da mente adquirir qualquer conhecimento sobre medicina, ou sobre algo semelhante, são totalmente instintivos e não saberiam como lidar racionalmente com alguma doença, ou com qualquer outra coisa !

      A mente, que foi desenvolvida depois do corpo estar completo, só pode ter influência somática, (sobre fenômenos que envolvem  o corpo por inteiro), como seria sobre a temperatura, ou pressão arterial, ou o sistema imunológico, etc.

      Embora todos os sistemas co-existam no mesmo organismo eles preservam a hierarquia de sua evolução, que limita suas competências. Assim, a eventual ocorrência de alguma interferência da "vontade" - processo mental superior -  sobre o trabalho fisiológico de algum órgão - processo instintivo mais primitivo -  indica, antes de tudo,  uma má-formação do ser, do que uma  possibilidade de tratamento confiável.

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Diretrizes para a organização de uma

SOCIEDADE RACIONAL

 

      O ser humano tem necessidade de viver em sociedade, junto de  seres semelhantes,  por imposições de sua própria  natureza, como seriam:   sua sexualidade e sua fragilidade durante uma longa infância.

      Quando adulto,  ele  precisa conviver com seres do sexo oposto para se reproduzir e perpetuar a espécie; quando criança, ele precisa do amparo de seres adultos que o alimentem e o protejam de predadores e de mil outros perigos.

      Na  medida em que ele evoluiu, tornando-se  mais racional e  melhor dotado de recursos tecnológicos, ele também passou a ter novas  necessidades.

      Entretanto, a sociedade que ele está  modificando para satisfazer tantas   necessidades novas, vem se tornando cada dia mais complexa e cheia de conflitos difíceis de conciliar. Os resultados práticos destas modificações, até agora, são inaceitáveis para o que  restou dos nossos sentimentos humanos, sejam vistas as guerras intermináveis, o terrorismo cego e  sem fronteiras,  as doenças endêmicas e epidêmicas, a miséria e a insegurança  globalizadas,  entre  outras tantas  desgraças.

        Assim como tivemos competência para criar a sociedade que temos hoje, não há razão para duvidarmos de que também   poderemos modificá-la, para melhor, seguindo nossos melhores sentimentos. Aliás, isto já vem acontecendo, ao longo da história. Se os resultados não aparecem, é porque não temos tomado os cuidados necessários para consolidar nossas conquistas parciais, que acabam anuladas  por interesses egoístas subseqüentes.    

      Se a sociedade que desejamos há de ser  o produto de uma vontade coletiva, já ficou automaticamente definido que seu governo será rigorosamente DEMOCRÁTICO  e não poderá depender da vontade individual de nenhum  guia ou tutor eventual,  mas,  que   buscará  a felicidade para cada um de seus associados. 

      Isto se consegue simplesmente impedindo a inclusão de qualquer dispositivo constitucional que propicie o aumento de poder de algum indivíduo sobre os demais. Enquanto todos tiverem iguais poderes,  os erros que vierem  a cometer – o que será inevitável – serão reversíveis e, mais cedo ou mais tarde, serão percebidos e corrigidos, pela vontade de uma maioria simples, fácil de se formar contra a    aqueles que, por desinformação ou má fé, prejudicarem os outros sócios.

     Será importante que estejamos prevenidos contra o erro maior e fatal, que viemos cometendo até hoje,  de considerar a chamada “democracia representativa”  como se fosse uma forma de democracia verdadeira e desejável. Na prática desta falsa democracia,  os representantes eleitos se juntam para formarem  uma classe de cidadãos privilegiados (os chamados “políticos”) que, depois de se apropriarem  do poder,  passam a explorar  todos os demais cidadãos, sem o menor respeito pela vontade dos eleitores que  são considerados, apenas, "inocentes úteis".  Quando os  eleitores perdem sua força e não são mais respeitados pelos governantes,  os erros tornam-se irreversíveis !!!

      O fato evidente, comprovado por mais de três séculos   de história, é que esta “democracia representativa” imposta ao mundo pelas nações mais poderosas – pois é o sistema que convém aos poderosos - vem fazendo um enorme  mal para a humanidade.

      Nesta altura da experiência  humana, não tem mais cabimento alguém cogitar se um novo sistema deverá ser capitalista, ou neoliberal, ou socialista ou comunista,  ou coisa assim. Se todos  desejamos que ele seja  DEMOCRÁTICO, que o seja plenamente. No gozo das liberdades democráticas,  o povo escolherá o modo de organizar a sua economia,  que  talvez resulte numa mistura das mais bem-sucedidas  experiências, sem qualquer  rótulo.

      Os ideólogos da democracia foram excessivamente zelosos em repudiar todas as desigualdades humanas, desnudadas pelo escandaloso contraste entre a plebe e a nobreza contra a qual eles estavam lutando, na época. Assim, passou despercebido o fato maior de que a foi a natureza que criou os homens diferentes, uns dos outros, em múltiplos aspectos,  e que não há meio de igualá-los artificialmente. Esta desigualdade natural acabou se impondo na  organização e no funcionamento das sociedades,  na falta de medidas preventivas  apropriadas, independentemente das declarações, dos lemas e dos anseios igualitários manifestados pelo ideólogos.

      Já que, durante o gigantesco trabalho de organização de uma nova sociedade, haverá pontos em que será  inevitável o estabelecimento de algum critério de hierarquia, poderemos recorrer à prática dos concursos, para organizar os quadros  governamentais,   sem quebra da igualdade de oportunidades  para todos. Estes concursos devem ser periódicos, para preenchimento de todas as  vagas  que se abrirem, em todos os escalões do governo, inclusive a própria  presidência da república, e também para a formação de uma "reserva técnica" de funcionários habilitados.

      Mesmo concursado, qualquer funcionário poderá ser remanejado, por decisão de seus superiores hierárquicos, se não alcançar um mínimo de eficiência, aferida periodicamente.  No caso do presidente da república, o superior hierárquico é o povo que deverá confirmar sua aprovação, como quesito  permanente em todas  as eleições subseqüentes, periódicas ou eventuais. O remanejamento encaminha  o funcionário a novo concurso em disputa de nova vaga, à sua escolha.

       Por sua parte, o governo manterá o ensino gratuito para todos, em todos os níveis.

        A  atual divisão do governo em três poderes – executivo, legislativo e judiciário - ,  que já teve suas razões históricas,   não é mais necessária para a preservação  dos valores democráticos. Tanto o poder executivo como o poder  judiciário  podem ser meros coadjuvantes de um  poder legislativo mais enxuto,  ágil e democrático, agora, livre das  tendências totalitárias dos outros poderes.

      O novo poder unificado será hierarquizado à semelhança  do atual poder executivo  e  será formado por funcionários públicos concursados, em todos os níveis e em número proporcional ao volume  de trabalho exigido pela organização da sociedade.

     Dentre estes trabalhos destacam-se a organização e o funcionamento dos setores  legislativo e   judiciário.

 1 -  No setor legislativo, qualquer cidadão terá direito e meios de  apresentar os seus  projetos de leis.     Periodicamente, talvez várias vezes por ano, serão convocadas, por sorteio,  as  “comissões eleitorais”, compostas por funcionários previamente concursados, encarregadas de colher classificar, unificar e  organizar  o material,  (projetos de leis)  que será submetido à

votação direta dos  eleitores voluntários de todo o país.

     As  discussões dos projetos serão feitas, continuamente, em sites da internet criados para esta finalidade (weblog),  e a votação será feita em  nossas conhecidas urnas eletrônicas. É nesta votação que se concentra todo o poder (legislativo) da sociedade.

2 -    No setor judiciário, o encargo  de julgar será atribuído a funcionários    previamente concursados para o exercício desta função, mas,  sorteados em cada fato para se reunirem,  em júri, para as  diferentes instâncias que forem  estabelecidas por lei.

        A transição para este novo tipo de governo poderia ser feita sem nenhum trauma. Bastaria que se organizasse  concurso para a formação de uma "comissão constituinte", nos moldes das comissões eleitorais, para  colher,  classificar, unificar, organizar  e por em votação os projetos dos artigos apresentados pelo povo para a nova constituição. A novidade seria uma constituição redigida, praticamente pelo povo, livre da  contaminação dos "representantes" intermediários; tão livre que poderia ser, até, diferente de tudo isto  que estamos propondo!!!...

         Uma vez implantada a DEMOCRACIA  DIRETA,  da forma que o povo entender que seja a melhor,  ainda estaremos expostos  às  ações  dos egoístas e gananciosos, que continuarão convivendo  conosco por muitas gerações e que,  saudosistas e inconformados,  farão tudo para a volta das formas  representativas de governo,  que  mais convém ás suas ambições.

        Por outro lado, não devemos imaginar que, através da democracia direta,  encontraremos, de imediato,    a solução mais justa para cada conflito humano; a única garantia que temos é a de que sempre continuaremos livres para  procurarmos alguma solução melhor,  em cada conjuntura.  Não há como "dormir sobre os louros!"

 

 

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PS:

... mas você já imaginou, leitor, o tamanho do exército de desempregados que se criaria,   formado por senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, mais toda a entourage  de secretários e assessores, parentes e  lobistas ?... toda essa gente sem nenhuma serventia que vive nababescamente, as nossas expensas, emperrando a máquina governamental  ?!...

     Acresce  ainda  que o processo saneador  se estenderia automaticamente sobre  todos os demais ramos da corrupção humana,   acabando com classe inteiras de intermediário nocivos ou supérfluos...  Já imaginou quanto roubo abortado, quanta safadeza frustrada ?!... quantos inimigos criados ?!...

      Fica a pergunta: Quando será que reuniremos a força necessária para fazermos o que precisa ser feito ??? Quem tiver alguma boa idéia, que nos diga ! 

 

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